Introdução
Clássica das festas juninas, a canjica — também chamada de mungunzá em várias regiões — é daquelas sobremesas que abraçam. Cremosa, perfumada com canela e cravo, ela aceita leite de coco, amendoim torrado e diferentes açúcares, sem perder o encanto. A seguir, você aprende a escolher o milho, a adaptar leites e doçuras e a acertar o ponto aveludado, tanto na panela comum quanto na de pressão.
Origem e variações regionais
Canjica x mungunzá x curau
- Canjica (Sul/Sudeste/Centro-Oeste): doce feito com grãos inteiros de milho branco (milho de canjica) cozidos até ficarem bem macios, depois finalizados com leite, açúcar e especiarias.
- Mungunzá (Norte/Nordeste): nome mais comum para esse mesmo doce de grão inteiro; em algumas áreas, também existe a versão salgada (com carnes).
- Curau: outro preparo, feito com milho verde ralado ou batido e coado; o creme é cozido até firmar. Em partes do Nordeste, “canjica” pode significar esse curau — por isso, ao viajar ou comprar, confirme o preparo desejado.
Quando servir
Além do São João, sirva em noites frias de inverno, como sobremesa de domingo ou em porções individuais para eventos. Em copinhos, ela vai bem em buffets e festas, mantendo a cremosidade por mais tempo aquecida em banho-maria suave.
Lista de Compras
Base (6 a 8 porções):
- 2 xícaras (cerca de 360–400 g) de milho para canjica branco (ou amarelo)
- 1,5 litro de água (para o cozimento)
- 1 pau de canela
- 4 cravos-da-índia
- 1 pitada de sal
- 1 litro de leite integral
- 1/2 a 3/4 de xícara (100–150 g) de açúcar (ajuste ao gosto)
Opcionais e variações:
- 200 ml de leite de coco
- 1 lata (395 g) de leite condensado (reduza o açúcar se usar)
- 1 tira de casca de laranja (sem a parte branca)
- 1/2 xícara de coco ralado
- 1/2 xícara de amendoim torrado e picado ou paçoca esfarelada
- Canela em pó para finalizar
Ingredientes essenciais e substituições
Milho: escolha, demolho e hidratação
- Escolha grãos inteiros, de tamanho uniforme, sem manchas escuras e sem odor rançoso. O milho branco rende textura mais clássica; o amarelo traz sabor ligeiramente mais intenso.
- Demolho: lave os grãos e deixe de molho em água fria por 8 a 12 horas (geladeira em dias quentes). Isso reduz o tempo de cozimento e garante maciez por igual. Descarte a água do demolho e enxágue antes de cozinhar.
Leites e açúcares
- Leites: integral dá corpo e sabor redondo; leite de coco intensifica a untuosidade e o perfume; leites vegetais (coco, aveia, amêndoas) funcionam bem para versões veganas/sem lactose.
- Doçura: açúcar refinado dá perfil neutro; demerara agrega leve caramelo; açúcar de coco traz notas tostadas. Se usar leite condensado, reduza o açúcar para 2 colheres (sopa) e ajuste no fim.
- Equilíbrio: uma pitada de sal realça os sabores e evita doçura “chapada”.
Preparo passo a passo (cremosa sem erro)
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Demolho e pré-preparo
- Lave e deixe o milho de molho (8–12 h). Escorra e enxágue.
- Separe canela, cravo e, se quiser, a casca de laranja para aromatizar.
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Cozimento inicial do milho (sem leite)
Importante: o milho cozinha primeiro só na água; os laticínios entram depois, para não talhar e para o grão amaciar por completo.
Panela de pressão: tempos e segurança
- Coloque o milho demolhado na panela com 1,5 litro de água, a canela, o cravo e a casca de laranja. Não ultrapasse 2/3 da capacidade.
- Tampe, leve ao fogo médio e, ao chiar, conte 25–35 minutos. O tempo varia conforme a idade do grão e a potência do fogão.
- Desligue e aguarde a pressão baixar naturalmente por 10 minutos antes de abrir. Cheque um grão: deve estar macio ao morder, mas íntegro.
- Se precisar, volte à pressão por mais 5–10 minutos com um pouco de água.
- Segurança: nunca force a abertura. Verifique a válvula e vedação antes do uso.
Panela comum: cozimento lento
- Use panela de fundo grosso. Cubra o milho com 1,5 litro de água, aromáticos e sal. Fogo baixo, panela semi-tampada.
- Cozinhe 1h30 a 2h30, mexendo às vezes e repondo água quente aos poucos, mantendo sempre os grãos submersos. O ponto é macio e uniforme.
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Entram os leites e o açúcar
- Com o milho macio e quase sem água, junte o leite (e o leite de coco, se usar) e o açúcar. Mexa bem e cozinhe sem tampa, em fogo baixo, até encorpar — 15 a 25 minutos.
- Mexa com frequência, raspando o fundo, para não grudar. Se preferir mais fluida, pare antes; para bem cremosa, deixe reduzir um pouco mais.
- Para versões com leite condensado: adicione no lugar de parte do leite e reduza o açúcar; incorpore nos últimos 10 minutos.
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Ajustes e ponto cremoso
- Acerte o sal e a doçura. Retire os cravos, a canela e a casca de laranja.
- A canjica engrossa ao esfriar. Para reter cremosidade, desligue um pouco antes do ponto final desejado.
- Se passar do ponto, afine com um pouco de leite quente.
Rendimento e Tempo
- Rende: 6 a 8 porções (dessert-size).
- Tempo ativo: 25 minutos. Tempo total: 1h30 a 2h30 na panela comum; 45 a 70 minutos na pressão (inclui pressão e finalização).
Finalização e toques de sabor
Aromas e toppings
- Clássico: cravo + canela em pau no cozimento; finalize com canela em pó.
- Coco amanteigado: leite de coco + coco ralado; termine com paçoca esfarelada.
- Citrus perfumado: casca de laranja no cozimento; retire antes de servir.
- Amendoim tostado: toste grãos crus em frigideira seca por 5–7 minutos, mexendo, até dourar e soltar aroma; esfrie, triture grosso e polvilhe na hora.
Apresentação
- Sirva quente em cumbuquinhas, com canela polvilhada.
- Em eventos, monte copinhos com camadas de canjica, coco ralado e farofinha de paçoca.
- Para bufê, mantenha em panela elétrica no “morno” e mexa de tempos em tempos.
Armazenamento, serviço e reaproveito
Conservar e reaquecer
- Resfrie rapidamente (até 2 horas fora da geladeira) e guarde em pote hermético por até 3–4 dias.
- Para congelar: porções individuais por até 2 meses. Descongele na geladeira.
- Reaquecer: fogo baixo, mexendo, com um pouco de leite (ou leite vegetal) para “soltar” sem talhar. Evite ferver vigorosamente após adicionar laticínios.
- Segurança: descarte se houver odor ácido, separação excessiva ou bolhas/anomalias após armazenagem.
Rendimento e porcionamento
- Como sobremesa: calcule 50–70 g de milho seco por pessoa (1/4 a 1/3 de xícara).
- Para festas: multiplique os ingredientes mantendo a proporção; use mais de uma panela para não ultrapassar 2/3 da capacidade, especialmente na pressão.
Dicas e Variações
- Vegana/sem lactose: troque o leite por mistura de 700 ml de leite de coco + 300 ml de leite de aveia; adoce com demerara ou açúcar de coco. Finalize com coco e amendoim.
- Menos doce: comece com 1/2 xícara de açúcar, prove no final e ajuste aos poucos.
- Mais sedosa: acrescente 1 colher (sopa) de leite em pó (ou versão vegetal) dissolvida no leite antes da finalização — opcional.
- Zero desperdício: sobras viram base de pavê. Alterne camadas de canjica fria, biscoito de maisena e paçoca; leve para gelar.
Qual é o seu segredo para a canjica perfeita? Conte nos comentários, compartilhe o post e salve a receita para as festas juninas!




